Inaugurado em 2024 e ainda em processo de construção, o Parque Campana ocupa grande parte do tempo e da atenção de seu fundador, Humberto Campana. Para a Numéro Brasil, ele revela detalhes de seu processo com o espaço, um sonho que ele idealizou junto com seu irmão Fernando, devidamente homenageado por lá.
Durante o período da pandemia de covid-19, Humberto Campana sonhou que precisava criar uma ponte entre o Brasil e a Itália. Por que Itália? A relação entre as duas pátrias, de acordo com ele, tem a ver com a sua origem toscana, além do papel importante que o país europeu tem em seu histórico profissional, tanto solo quanto na dupla com o irmão Fernando (1961-2022), a colaboração com diversas marcas italianas impulsionou a carreira dos designers, que ficaram conhecidos internacionalmente.
O desejo que Humberto teve em sonho foi levado adiante na base da intuição. Assim, ele transformou o sítio da família, no interior de São Paulo, em um parque com 8 pavilhões monumentais, mas que chegará a 12. Para ele, essa é uma forma de conectar o Cerrado de Brotas à antiga Etrúria (atual Toscana, Úmbria e Lácio), cujas 12 cidades-estado influenciavam a cultura, a arte e a religião.
Você menciona que a ideia do Parque Campana surgiu a partir de um sonho. Qual foi a reação do Fernando quando esse sonho foi compartilhado?
Não lembro exatamente, mas a gente era um só. Eu e o Fernando estávamos tão próximos, tínhamos um contato diário, o que um pensava, o outro fazia. Então acho que ele também queria isso, porque a ideia do parque é um pouco mais antiga do que o sonho. Nós herdamos uma parte do sítio da nossa família e, desde então, discutíamos o que fazer para evitar que o espaço tivesse cultura de cana ou eucalipto. A gente queria que aquilo ficasse lá para os animais, porque era um lugar que já tinha tamanduá, macaco, cervo, lontra, tucano. Só que, com o tempo, a região toda virou uma ilha no meio do agro, e nós acabamos arrendando para que tudo não ficasse abandonado. Na pandemia, começamos a ir com mais frequência e então tivemos a ideia de nos voltarmos mais para a nossa comunidade, porque a nossa vida estava muito voltada para fora. A gente sempre dava aula em universidades, tanto no Brasil como no exterior, e pensamos: por que a gente não faz algo em Brotas? Algo para a educação ambiental, para a arte. Começamos a pensar em criar pavilhões com plantas vivas, onde a arquitetura seria formada pelas plantas ou materiais locais. A partir daí foi mãos à obra, com muito sacrifício, claro, porque tudo que ganho, invisto lá. Mas não quero reclamar, já que o parque nasceu com a ideia de não ficar parado ao ver tudo que está acontecendo no planeta.
O parque seria, para você, um espaço de conexão entre mundos?
Exatamente. É um lugar onde sinto conexão com todas as pessoas que foram importantes na minha vida. Ali há afeto, lembranças, fantasias. E também é um lugar de workshops, onde quero criar um espaço para pensar o design e a arquitetura, mas também a biologia, a ioga, o sound healing. No dia em que inauguramos o parque, fizemos uma sessão com a Patrícia Diogo, que trabalha com o som a partir de tigelas de cristal.
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