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Criador de Sonhos

Revista

Responsável por alguns dos eventos sociais e corporativos mais sofisticados do país, Jacimar Silva alia imaginação, atenção aos detalhes e excelência na execução para emocionar.

 

De dinheiro, afinal, ele entende faz tempo. Jacimar começou sua jornada profissional como bancário, na época em que a compensação de cheques era manual e ia noite adentro. Foi esse emprego que lhe permitiu sair da pequena Astolfo Dutra, na Zona da Mata mineira, aos 17 anos, deixando a família – incluindo a irmã gêmea e a mais velha – para trás, para desespero da mãe. Chegou a iniciar a faculdade de contabilidade em Minas, mas depois fez a transferência para o curso de administração de empresas, em São Paulo. De caixa, passou a gerente e chegou à prestigiada sede na avenida Paulista. Trabalhou também no financeiro de uma construtora, antes de se tornar o responsável pelo marketing da grife de moda praia Rosa Chá. Com o estilista Amir Slama, ele aprendeu muito e pôde experimentar um pouco do universo que hoje domina tão bem, participando da concepção de desfiles e campanhas, bem como da expansão das franquias e lojas. Quando a marca foi comprada por um grande grupo, Jacimar migrou, aos poucos, para outros setores da comunicação, até chegar em eventos. Essa mudança de rota — do marketing para a criação de experiências — não veio acompanhada de glamour automático. Pelo contrário.

Quem vê o feed (alimentado quase a contragosto) repleto de convidados sorridentes talvez não se dê conta do trabalho intenso que essa jornada exige, especialmente para quem se dedica como ele. Jacimar faz questão de acompanhar toda a montagem e desmontagem de seus eventos, para estar sempre por perto em caso de uma urgência. E elas acontecem. Como no casamento em Itacaré, em que o caminhão com as flores e móveis não conseguia subir pelo acesso da casa. Ou, ainda pior, o casamento em Saint-Tropez, ao ar livre e sem cobertura, em que foi preciso cobrir as mesas (já montadas) e cadeiras com as toalhas do hotel para evitar o estrago maior que seria causado por uma chuva de verão; depois, secar cada uma, enquanto o padre (brasileiro, claro), prolongava a cerimônia. “Muitas pessoas que fazem o que eu faço criam o projeto e aparecem só na véspera. Eu faço questão de acompanhar tudo porque, se precisar, resolvo o problema na hora. Estou mexendo com o sonho daquela pessoa, não posso errar.”

Não é exagero dizer que Jacimar está entre os mais procurados e incensados diretores criativos de eventos do país. É responsável por um sem-número de casamentos (em São Paulo; em Itacaré, na Bahia; Saint-Tropez, na França; e em Puglia, na Itália), noivados e aniversários (de 1 ano, 15 anos ou muitos mais), assim como algumas das festas corporativas mais charmosas do Brasil. No seu rol de clientes estão empresários, executivos, socialites, empresas nacionais (MASP, Bienal, Pinacoteca, grupo Azzas 2154, JK Iguatemi) e internacionais, incluindo Hermès (que ele atende há mais de 15 anos), Dolce & Gabbana, Bulgari, Chanel e Mastercard.

Jacimar se preocupa com cada detalhe. No Dinda’s Circus (a festa de Ana Eliza), por exemplo, isso incluiu as flores, a decoração, o picadeiro, a cobertura, o uniforme e o adorno de cada fornecedor, incluindo o broche de cristal a ser usado por cada uma das faxineiras, o smoking – de veludo bordô, importado por 25% do preço cobrado para alugar por aqui – e a inusitada e lindíssima gravata borboleta usada pelos barmen. Essa, aliás, tem uma origem peculiar: veio para a festa especialmente da Lituânia. Jacimar descobriu, online, a designer que faz essa gravata borboleta invertida (vertical, em vez de horizontal). Ligou para a designer e encomendou um exemplar. Encantado pela qualidade e pelo capricho da peça, negociou e comprou outras 40. “Pesquiso muito o Leste Europeu e a Rússia. Eles têm festas incríveis.”


“Faço questão de acompanhar tudo porque, se precisar, resolvo o problema na hora. Estou mexendo com o sonho daquela pessoa, não posso errar. Não tem nada melhor do que emocionar alguém.”
Jacimar Silva

 

O primeiro colaborador acionado é o arquiteto, com quem é feita a visita técnica para desenhar a planta da festa, em cima da qual Jacimar vai rabiscar cada ideia, já previamente debatida com os fornecedores (muitas vezes indicados por ele mesmo): onde ficarão e que tamanho terão a ilha de pratos quentes e frios, a mesa de doces, a pista de dança, as mesas dos convidados, as flores, o palco (se houver show). Dali, passa à concepção, que inclui a louça, a toalha da mesa, a cor da grade que cobre o ar-condicionado, até o aroma (sim, um perfume especial) do convite. O cliente acompanha tudo em várias etapas. E, às vésperas do evento, ainda é convidado para uma amostra em que são conferidos os resultados dos arranjos, das estampas, dos móveis, das louças etc. O céu é o limite da criatividade, mesmo que nem sempre o orçamento acompanhe – embora, muitas vezes, no caso dos clientes de Jacimar, chegue bem perto disso. “Tudo é possível, e a gente pode se adaptar ao orçamento. Mas, daí, temos que alinhar as expectativas.” Com orçamento mais enxuto, saem o enxoval customizado, os tecidos mais nobres, a lagosta, o caviar e assim por diante.

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